terça-feira, 24 de novembro de 2009

Corpo

Meu cárcere
Meu cálice

Covil de paixões desenfreadas
Tecido de sensações alucinadas
Povoado de cobiças
E desejos insanos

De ti verte o prazer
O enredar-se na trama do real
Tocar superfícies geladas
Que ardem na pele queimada

Massa disforme de ordem pretensa
Cativo entrópico de nascimento
Morre um pouco a cada instante
Seus nacos desintegram-se lentos

Em ti realizo o sonho
Desço à terra o impossível
Navego caminhos errantes
Mudo em sinas vaticínios

Em febris estados me lança
Importuna-me com seus reclames
Passeios de êxtase anseia
Dos toques das moças faz enxames

Por ti enxergo as cores
Me lanço para fora do espelho
Caminho altissonante
Eterno devaneio

Meu cálice
Meu cárcere

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