- Por que te invejaria eu, ébrio,
Se de tuas tórridas superfícies
Sustento vida nenhuma logra obter?
- Sei que me invejas...
Meus hélios raios
Brilhantes e puros.
Não são deles, afinal,
Que as vidas logram se suster?
- Por que te invejaria eu, ébrio,
Se desses hélios raios,
Quando seu auge atingem,
Todos se põem a esconder?
- Sei que me invejas...
Minha luz fulgurante
Resplandece e faz dia.
Não é ela, afinal,
Que sinônimo do bem se fez?
- Por que te invejaria eu, ébrio,
Se nas minhas tenras entranhas
Prenhe estou de vidas,
Enquanto que das tuas inóspitas clareiras,
Sequer almas se aproximam?
- Sei que me invejas...
Pois se vidas as têm
Em seu ventre de rocha inerte,
Sou eu quem as nutre
De calor e energia.
- Por que te invejaria eu, ébrio,
Se de ti as vidas conhecem apenas
Uma face hostil, em fogo coberta,
Quando de mim saem e a mim tornam
Esses meus pequeninos?
- Sei que me invejas...
Pois se em ti crescem e perecem,
Comigo é que eles sonham
E de mim fizeram deus.
- Por que te invejaria eu, ébrio,
Se em suas próprias chamas morrerás,
Em explosão sem par!
Fria e vazia afinal.
- Sei que me invejas...
Pois espetáculo serei ao morrer,
E permanecerei longo após.
Quanto a ti, comigo morrerás,
Em meu esplendor te consumirei
E sequer lembrada serás.
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